..Bem vindo ao mundo invertido, surreal, abstrato e desconexo que surge a partir desta realidade imaterial.. cada vez mais invertido, surreal, dadaista,expressionista, abstrato, desconexo e subversivo, com muito orgulho disto..

16 maio, 2010

Cronicas de LuneReal : O menino que sonhava ( part 1)


Imagem Edward Gorey
O vento sussurrava entre as arvores palavras incompreensíveis para um humano qualquer, as gotas de chuva entoavam uma musica lúgubre entre os raios de luz lançados pela lua, olhos que espreitam a noite observam o bosque sombrio a procura de alguma presa, podia-se sentir nesta musica uma mescla de dor e saudade, os animais, as arvores, a própria Gáia sentia este sentimento obscuro que flutuava como uma neblina naquele lugar banhado pela lua.
Um rio próximo estava sendo forçado a transbordar pela água da chuva, seus afluentes recebiam a água que vinha dos céus mais não agüentavam sua força e sucumbiam, mergulhando suas margens nas águas negras e gélidas, enquanto pequenos animais fugiam de suas tocas para fugir da enchente os pássaros noturnos davam seus vôos ao encontro de suas presas e musica continuava, interminável, triste, enquanto o vento cantava suas palavras para as arvores e céus.

Ali no bosque naquela noite, não estavam a sós, o vento, as arvores, a chuva, a lua, um pequeno grupo de mercadores descansava de sua jornada, eles pretendiam chegar até um vilarejo próximo para completar suas transações de mercadorias, porem precisavam descansar e no véu avermelhado que veste a terra no fim do dia o bosque pareceu um bom lugar para passar a noite, todos tentavam dormir em pequenas tendas, varas de madeira cruzadas com pano, não eram muito grandes, mas davam certo conforto em meio aquela tormenta que estava acontecendo.
Jonathan era apenas um menino, o filho de um mercador que tentava ganhar a vida através de pequenas transações mercantis, ele não era muito novo, mas também não era um adolescente, tinha cabelos ruivos encaracolados que iam até a altura do ombro, olhos negros profundos e com olheiras, eles acordavam muito cedo Jonathan sempre comentava com seu pai, usava roupas sujas, não muito diferente dos demais do comboio, todos pareciam bem pobres, John como seu pai o chamava, não tinha certeza se eles se vestiam assim por uma estratégia de viajem ou porque tinham que economizar.
O pequeno John estava na cabana com seu pai, uma pequena lamparina iluminava a cabana com a luz alaranjada provocada pelo vidro sujo, os sopros do vento balançavam a cabana fazendo as sombras de John e de seu pai ficarem se movendo no tecido da pequena cabana, o pai de John dormia tranquilamente, enquanto John permanecia parado e de olhos fechados, porem consciente, não tinha conseguido dormir pelos sons da floresta, ele tinha medo de dormir em lugares assim e com essa chuva ele ficava apavorado.
Por varias vezes ele tentou abrir os olhos mais sempre via uma sombra se mexer e voltava a fechar os olhos, por algum tempo ele ficou imaginando o que seriam aquelas sombras e chegou à conclusão de que deveriam ser apenas a sua imaginação lhe pregando peças, mas ainda assim permaneceu de olhos fechados.
Certa hora quando a chuva pareceu ficar mais forte ele escutou sons estranhos ao longe, se levantou um pouco e pôs o ouvido perto do tecido impermeável da tenta e tentou escutar melhor os sons, novamente ouviu e conseguiu distinguir pouca coisa, a chuva e os trovões ocasionais dificultavam, ele acreditou ter ouvido vozes, aquilo que antes era apenas algo ao longe tomou forma de varias vozes, parecia haver confusão nelas, todas falando ao mesmo tempo, John olhou de relance para seu pai e viu que ele ainda dormia, voltou novamente para escutar as vozes que agora pareciam se distanciar e foram desaparecendo da percepção do menino até ele não as escutar em meio aquela tempestade.
O pequeno John sabia que seu pai não gostava de ser perturbado no meio da noite, já que ele sempre ficava mal humorado quando isso acontecia e assim não conseguia fazer muitos negócios, Jonathan voltou para o lado de seu pai adormecido e se deitou novamente esperando não ouvir mais aquelas estranhas vozes.
A vozes podiam ter sumido, mas a chuva continuava impetuosa e cruel fora da tenda, o menino tentou dormir, mas ainda não conseguia, parecia que algo havia tomado seu sono e levado para bem longe, nessas horas ele gostava de pensar em sua mãe que havia falecido a alguns anos, ela sempre fazia carinhos nele quando não conseguia dormir e ele sentia falta, e tendo a imagem de sua mãe em mente e suas lembranças lhe confortando ele pegou no sono sem nem mesmo perceber.
A chuva que caia em sua infinita cadencia mergulhava aos poucos as terras próximas do rio que aumentava de volume a cada gota de água que lhe era acrescentado, uma coruja dava um rápido ataque em um rato que corria desprotegido próximo a uma das tendas, quando um raio caiu em uma arvora próxima, o estrondo foi grande, porem John estava mergulhado em seu sonho maternal, seu tão pouco se moveu quando o estrondo ocorreu, estranhamente parecia que ninguém no acampamento havia se incomodado com o ocorrido.
O jovem Jonathan no momento em que o raio cairá estava sendo abraçado por sua mãe, ele havia finalmente conseguido acertar dentro do troco de arvore, uma brincadeira que ele sempre fazia com sua falecida mãe, ele nunca ganhava dela e dessa vez ele tinha conseguido acertar antes dela, uma felicidade estava dominando o coração dele, há muito tempo ele não se sentia assim, tão livre e feliz, foi neste momento que ele percebeu o quanto a vida dele com o pai não estava sendo tão boa quanto ele achava.
A mãe de John estava sentada nos resto de uma arvore que havia sido cortada, seus traços suaves no rosto tão alvo lhe faziam tão bela quanto um anjo, seus cabelos cor de mel brilhavam com a luz do sol que estava raiando naquela cena tão perfeita para o menino, ela parabenizava John por ter ganhado o jogo, quando John sentiu algo estranho nas mãos de sua mãe, o seu calor que antes era tão forte e agradável estava se perdendo, quando ela lhe beijou na testa ele sentiu em seus lábios um toque gélido, frio, sem vida, ele deu um passo para traz quando voltou os olhos para sua amada mãe, percebeu que ela estava perdendo seu brilho, estava ficando pálida, com uma expressão doentia, o céu antes límpido e radiante, agora se fazia cinza, surgiam nuvens negras, um vento tão frio quanto o beijo de sua mãe, um vento que parecia cheio de navalhas pois John sentiu um dor quando ele o tocou, como que sua carne fosse cortada, porem não viu sangue ele só sentia a dor que se tornava quase insuportável, o peso da dor derrubou John no chão.
Deitado no chão ele viu o cenário antes tão agradável tomar outra forma, o ar ficou pesado e frio, o vendo era continuo, as arvores antes tão vivas e verdes, agora deixavam suas folhas serem levadas pelos ventos, a grama secou e tomou por cor um tom cinza, quando John tentou levantar o pescoço para ver sua mãe, percebeu que ela agora era apenas uma forma humanóide, decadente, triste, quase decomposta, a carne do rosto havia secado, os olhos estavam profundos, seus cabelos tomaram tonalidade esbranquiçada e voavam com o vento, então ela abriu sua boca ressecada e proferiu palavras que John não conseguiu entender, pareciam de outra língua, ou era a dor incessante que não permitia ele pensar direito?
Ela continuou, sua voz era rouca e grave, John mergulhado em seu mar de dor, conseguiu distinguir algumas palavras e percebeu que alem dessa voz rouca, havia outras falando simultaneamente, ele ficou assustado, eram vozes de pessoas, algumas idosas, outras jovens, ele podia sentir que conhecia essas pessoas, no mesmo momento lhe veio em mente aquelas vozes que havia escutado quando estava na tenda, e reconheceu, eram as mesmas.

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Continua...

16 comentários:

Arthur D'mello disse...

teu espaço me parece meio conspiração rsrsrs
mas quanto ao texto está bem bacana , boa sorte com o blog e com os textos :D

Rê disse...

Bem FODA!

sabor da floresta disse...

muito bom seu blog e bons textos
http://pitadinhadeamor.blogspot.com/

JaCoNa disse...

Eu curti teu texto, apesar de achá-lo um pouco longo... Talvez se a primeira parte fosse menor... =/
Não sei, acho q tu demorou um pouco apresentar o personagem (John) e talx.
Mas teu estilo é legal, gostei da maneira q tu narra...
Enfim, parabéns e sucesso! ;)

Isabella Amaral disse...

Então, concordo com a "jacona". o texto é bom, mas é muito grande. Uma pessoa que está te visitando pela primeira vez, por exemplo, talvez nao tenha paciencia de ler até o final e desista.
Textos curtos são mais fáceis de chamarem atenção! ;p

Eu li tudo e gostei rsrsrs....
tô seguinto, segue lá tbm =)

Isabella Amaral disse...

Desculpa...mas nao encontrei o link para ser seguidora rsrsrs...onde que tá?

Esther cyrraia disse...

é um bom texto, até deu medinho, mas vc se prolongou demais na apresentação (para um blog)
sucesso!

ZUMBIE DOLL disse...

desculpe .. está lá no lado direito na barra =]

e concordo, acho que exagerei no conteúdo, da próxima postarei algo menos extenso

=]

Fica A Dica disse...

sorte que eu já tava lendo o texto por vc comentar no meu blog!! :D
mas confesso, não terminei ainda, mas ta bacana! sério! valeu

Francorebel disse...

Texto bacana, porém longo e realmente isso é desmotivante para qualquer leitor que desconheça o conteúdo do Blog... valeu!!! Vou te seguir!

Tami disse...

Adoreiii...
As cores, os textos.
As frases.
Parabéns !
voltareii por aqui.

Karla Hack disse...

Não sei bem o motivo, mas achei a sua forma de descrever, a estética da histório um tanto Tim BUrton... O que é fantástico!
Parabéns!

FILhote disse...

Gostei muito da narrrativa. grande riqueza en detalhes e soube trazer ben as emocoes do personagen en especial na parete en que johnatan brinca con a mae

Henrique Alvez disse...

Voltei aqui na parte 1 pra começar tudo do começo XDDD
O conto é muito bem escrito, isso você vai ler muito nos comentários, por tanto não vou me pronlongar nisso...
O que gostaria de chamar a atenção é na maneira como o personagem é contruído. Sem ser minuncioso ao extremo, você conseguiu criar um personagem muito humano, praticamente vívido, e isso é muito difícil. Gostei muito.

Uma dica que eu tenho a te dar é para cuidar da pontuação, mas isso nem de longe ofusca o brilho estonteante do que lemos aqui.

parabéns.

http://baudopascacio.blogspot.com/
também escrevo contos e etc, quando quiser passe lá.
abraço

Shaw Morrison disse...

Wow ai sim heinh gostei do conto And, ahsuahsu viu como eu não sei somente criticar ahsuahsuah.Abraços...

Tomaz C Frausino disse...

cara... eu sei que eu já te falei, mas, adoro sua forma de escrever... parece muuuito prosa poética