..Bem vindo ao mundo invertido, surreal, abstrato e desconexo que surge a partir desta realidade imaterial.. cada vez mais invertido, surreal, dadaista,expressionista, abstrato, desconexo e subversivo, com muito orgulho disto..

18 maio, 2010

Cronicas de LuneReal : O menino que sonhava ( part 2)


Imagem Edward Gorey


continuando...
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O céu sendo dominado por raios, as nuvens se tornando uma mescla de Negro com vermelho, os ventos começam a cantar uma canção conhecida, John inerte enquanto tudo ocorria em seu redor, a canção da floresta, da chuva, dos relâmpagos, ele estava sozinho novamente, sem seu pai, sem a mãe e percebendo isto se encolheu, agarrou os joelhos e se pôs a derramar lagrimas.
O ser que antes era sua progenitora ainda proferia as palavras incompreensíveis para o menino, ele lutava contra a dor em busca da sanidade, não conseguia pensar com as ondas cortantes intermináveis que passavam por sua carne, os pensamentos dispersos flutuavam em sua mente, as vozes pareciam roubar a pouca razão que lhe restava, a angustia lhe tomava por dentro, quando pode ouvir uma voz se diferenciar das outras, uma voz conhecida, era a voz de seu pai.

Ele reuniu a pouca força que ainda lhe restava, tentou abrir o os olhos e não conseguiu, forçou seus sentidos para conseguir ouvir melhor as palavras que a voz estava proferindo, seu pai falava para levantar-se, que tudo era apenas um sonho, que aquela não era sua mãe, mas sim um fantasma, uma criatura maléfica, parou por um instante e continuou a falar, mas a voz começou a ficar mais fraca, as outras vozes pareciam sobrepujar e dominar a voz que se diferenciava das demais.
O menino novamente juntou forças para abrir os olhos, dessa vez sabendo que não veria sua mãe quando os abrisse, mas sim um monstro, um demônio, algo sobrenatural, por um momento suas forças vacilaram ao pensar se poderia vencer algo assim, nas historias que conhecia sempre eram os cavaleiros e magos que venciam coisas assim, ele era apenas um menino.
A dúvida surgiu, dominou e segurou todas as forças que antes estavam reunidas para a reação como um dono que controla seus cachorros raivosos.
John estava paralisado pela duvida, as dores não faziam mais sentido, pareciam fazer parte de seu corpo agora, um sonho seu pai disse, se fosse realmente um sonho quem deveria estar mandando em tudo era ele, não era?
As correntes da duvida vacilaram, trincaram e continuaram a segurar os impulsos do garoto, mas sua mente trabalhava em uma resposta para uma questão simples, o fantasma, monstro, seja lá o que fosse havia brincado com a lembrança de sua mãe, algo que John nunca tinha provado o gosto em toda sua vida surgiu como uma torrente inevitável dentro dele, ódio, como podia algo tão vil brincar com suas lembranças mais queridas deste modo?
As correntes que prendiam seu corpo, os grilhões da duvida já trincados pela força de vontade de John agora foram estilhaçados pelo seu ódio, um gosto peculiar veio até a boca de John, ele não sabia descrever, só sabia que queria retirar aquilo de seu corpo e ele sabia que deveria saciar seu ódio para fazer sumir tal sabor estranho.
A criatura continuava a recitar suas palavras, olhos profundos mergulhados na pele ressecada, seus lábios mortificados se mexiam rapidamente, não movia seu corpo, apenas a boca.
Quando a onda de ódio libertou o menino a criatura pode perceber um simples mexer de dedos, como se fosse um espasmo, mas logo veio outro movimento e logo houve uma mudança de feição rápida no rosto cadavérico do ser quando percebeu que John tentava se por em pé.
O menino lutava contra o peso de seu próprio corpo enquanto procurava palavras para expressar o que sentia, não conhecia tal sentimento, apenas sabia que teria que fazer aquilo parar, tentou organizar alguns simples pensamentos em palavras e as proferiu de forma firme e interrogativa, no momento em que falava se sentiu não aquele simples e humilde menino, naquele momento ele sentiu-se com a firmeza de suas próprias palavras e com a intensidade de seus sentimentos, um homem convicto de suas atitudes.

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continua...

8 comentários:

Karla Hack disse...

Gostei que há um tom de confusão e insegurança, mas sem deixar de envolver o leitor... Na medida! As descrições também funcionam neste favor... Muito bom!


Fique a vontade em usar a idéia... Vou vir conferir quais as personagens que vc se identifica..

;D

Nath Ataíde disse...

adoreio o texto, parabéns ;**

Nah disse...

Achei meio sofrido, mas muito bem detalhados os sentimentos. Parabéns :B

Fica A Dica disse...

achei boa a descrição!!!! bacana!!!

bacana tbm os NO do seu blog.. no racism, no consumism, bacana! :D

Communique disse...

texto excelente... envolve muito quem lÊ..

vale a pena apesar de todos os sofrimentos..

www.communiquebr.blogspot.com

-A fórmula da informação

Andrei Vinicius Morais disse...

Complexo. Gostei dos detalhes, dá uma boa visão criativa :)

thalyta disse...

ooi' ameei esse texto, mt mt mt boom
parabéns pello seu blog

ps: to te seguindo
beeijos ♥

http://thalytanogueira.blogspot.com/

angel22 disse...

adorei ... muito criativo seu blog ;D