..Bem vindo ao mundo invertido, surreal, abstrato e desconexo que surge a partir desta realidade imaterial.. cada vez mais invertido, surreal, dadaista,expressionista, abstrato, desconexo e subversivo, com muito orgulho disto..

25 maio, 2010

Diario de um perdido #16.5


Ontem eu tive outro destes meus momentos de insônia, fiquei deitado na cama até não aquentar mais, o quarto tão escuro quanto que tudo perdia sua cor, como se a tal escuridão sugasse tudo que expressa-se um pouco de vida, só se podia enxergar tons intermediários de escuridão, não havia aquela luz que ficar nas frestas da porta, mas havia ali a luz de minha janela, suas grades subdividiam a luz em pequemos cubos, um em cima do outro, como blocos de luz postos ali para iluminar minha noite obscura, a cortina tampava mais da metade da janela, então a luz que adentrava é muito escassa e minguante, não atingia o foco de sombras que se formava onde a porta normalmente ficava.

Eu podia enxergar o contorno do braço do meu violão contrastando com a luz proveniente da janela, um desenho formado por cubos com uma linha reta e negra, por alguns momentos me vi imaginando uma cruz feita de escuridão, imaginação, sempre mexendo conosco em momentos inoportunos.
Tudo em puro silêncio, sentia minha respiração atravessando o ar, a escuridão aos poucos tomando posse do quarto, a luz da luz quebrando a obscuridade e renovando as cores por onde sua mão passava.
Caixas e papeis se tornavam visíveis próximo a janela, adentrando naquele mundo de poucos tons, sem muitas variações, apenas a escuridão e a pouca claridade, tão agradável, tudo tão simples, sem muitas complicações, bonito e opressor, triste e alegre, tão sereno, suave e mesmo assim meu sono não vinha, não veio e estou aqui rompendo as trevas com a luz artificial, um triste final para algo tão sublime.

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